Ele foi um dos maiores se não o maior dos maiores, era mesmo grande, nunca conheci um gajo tão bom no que fazia, era mesmo mesmo bom no que fazia.
Ele era o Bigodes. Alguns tratavam-no por Preto ou mesmo Livrinhos, mas só os invejosos. Eu reconhecia-o por Bigodes ou então... não era só Bigodes, não por ele ter um grande e farfalhudo bigode mas por nunca ter tido uma pilosidade na cara, era como tivesse um rabo de bebé entre o lábio superior e o nariz. Houve uma vez, que estava no gozo com ele e passei o dedo por essa zona e acho que senti um pouco de pó de talco e cheirava aquelas toalhetes de bebé. Um pouco estranho.
Mas gostava dele.
Ele era agente da Polícia Judiciária e andava sempre com um Moleskine preto de capa mole, nunca ninguém lhe viu o interior. Mentira, eu uma vez estávamos a comer uma bifana ali na Praça do Chile, só dei uma mirada, como os homens fazem para olhar discretamente para o decote das mulheres mais guarnecidas de peito, mas desta vez em vez de um "ó porco estás a olhar para onde!" ou "queres ver mais de perto, vamos para a minha casa ou para a tua", mas neste caso foi um murro que eu tive de resposta, um nariz partido e um "nunca mais olhes".
Bigodes quando ia às cenas de crime ele desenhava tudo o que lhe diziam e no meio dos desenhos ele conseguia descortinar pistas e por vezes o autor da brincadeira, como ele chamava.
Nesse dia do murro no nariz, ele não estava a ver nada. Bem que olhava e redesenhava, basicamente estava a almoçar com um fantasma, ele estava mais interessado no caderno do estilo do que na bifana que já lhe tinha comido. E boas que eles são.
"Xor Jorge é mais uma Super Bock!" grita o bêbado local lá do fundo.
"Aqui eu não cobro os se faz favores!" diz entre dentes enquanto a bifana caí num banho quente de óleo de uma frigideira que já não vê o seu amigo Fairy desde que o Convento do Carmo foi abaixo. Eu acho que só com uma frigideira assim é que se consegue cozinhar as melhores bifanas ou febras.
Sem mais nem menos fiquei com as duas cervejas na minha camisa dos 300, que eu continuo a dizer que é uma Fred Perry, mas o que diz na etiqueta é Daddy Perry e a bifana que eu tinha roubado do Bigodes ao colo e um "paga tu que eu já sei quem ateou fogo ao prédio na Morais Sores!"
Fiquei parvo, o Jorge diz o mais alto que pode, visto que ele hoje estava rouco e saiu uma vozinha meia estranha "A grande Livrinhos! Prende esse gatunos todos!"
Depois de gastar os guardanapos na minha Daddy Perry e pagar a conta, vim a encontra-lo passado 3 meses e ele explicou-me como descobriu.
"É fácil Gil, sabes quando uma pessoa desenha até à borda do papel. Esquece tu não sabes desenhar. Quando fechas o livro fica algo desenhado na lombada, neste caso era o nome do piromaníaco na lombada lateral e na lombada superior tinha o número de bi. Simples não?"
"Claro."
Que inveja tenho deste gajo.
24 outubro 2008
15 agosto 2007
A mentira
Foi tudo uma mentira para poder fugir das saias da mãe que pouco tempo antes tinha casado com um outro homem. A história é a seguinte: ela divorciou-se a 10 de Setembro de 1979 e no mês seguinte apaixonou-se por outro homem. Um tal de Gil Andréty, de boas famílias italianas ligadas ao mármore, mas ao ser apresentado a Rui, este achou-o meio bicha.
Rui era homofóbico e com medo que "aquilo" se pegasse disse que ia de fim-de-semana para a montanha com a namorada da altura.
Foi tudo uma mentira. O que ele decidiu foi ir meter-se debaixo das calças do pai, logo no fim-de-semana seguinte à festa de casamento da mãe com o Andréty.
Mas quando chegou a casa do pai, viu-o com outra mulher. Ficou revoltado pois o seu pai tinha jurado à porta do tribunal, após o divórcio, que “Nunca mais quero ter mulher alguma.”
O Rui realmente foi de bicicleta para a montanha. Chegado ao lago prendeu uma pedra à sua perna e o cadeado da bicicleta ao cós das calças juntamente com a bicicleta.
A única coisa que encontraram dele foi uma carta à namorada a dizer apenas "Amo-te" colada ao cacifo do armário da escola.
Rui era homofóbico e com medo que "aquilo" se pegasse disse que ia de fim-de-semana para a montanha com a namorada da altura.
Foi tudo uma mentira. O que ele decidiu foi ir meter-se debaixo das calças do pai, logo no fim-de-semana seguinte à festa de casamento da mãe com o Andréty.
Mas quando chegou a casa do pai, viu-o com outra mulher. Ficou revoltado pois o seu pai tinha jurado à porta do tribunal, após o divórcio, que “Nunca mais quero ter mulher alguma.”
O Rui realmente foi de bicicleta para a montanha. Chegado ao lago prendeu uma pedra à sua perna e o cadeado da bicicleta ao cós das calças juntamente com a bicicleta.
A única coisa que encontraram dele foi uma carta à namorada a dizer apenas "Amo-te" colada ao cacifo do armário da escola.
27 fevereiro 2007
Não sei, muitas dúvidas
- Achas que sim?
- Não sei.
- Por mim sim
- ... ok é para o nosso bem e o futuro dele.
- Exacto, é mesmo nisso que estou a pensar. Melhor para ambos.
- E vamos onde?
- Não sei, a vizinha da minha avó faz é mas é um pouco caro, mas...
- Pedimos ajuda aos meus pais.
- Porra se pudesse ir a um hospital era melhor.
- Mas eu não te quero perder.
Eles abraçam-se e dão um beijo muito trenurento.
- Vamos fazer o tal aborto.
- Sim.
- Não sei.
- Por mim sim
- ... ok é para o nosso bem e o futuro dele.
- Exacto, é mesmo nisso que estou a pensar. Melhor para ambos.
- E vamos onde?
- Não sei, a vizinha da minha avó faz é mas é um pouco caro, mas...
- Pedimos ajuda aos meus pais.
- Porra se pudesse ir a um hospital era melhor.
- Mas eu não te quero perder.
Eles abraçam-se e dão um beijo muito trenurento.
- Vamos fazer o tal aborto.
- Sim.
04 julho 2006
03 julho 2006
02 julho 2006
30 junho 2006
29 junho 2006
28 junho 2006
27 junho 2006
25 junho 2006
24 junho 2006
22 junho 2006
21 junho 2006
19 junho 2006
18 junho 2006
17 junho 2006
16 junho 2006
14 junho 2006
13 junho 2006
12 junho 2006
11 junho 2006
10 junho 2006
09 junho 2006
08 junho 2006
07 junho 2006
05 junho 2006
Queluz Monte Abraão
Quem entra na estação de Queluz Monte Abraão, de manhã, parece que se está a entrar numa papelaria. 3 gajos de um lado e outros 3 do outro cada um com um jornal grátis a distribuir, ou seja, a impingir por todas as pessoas que entram.
Já pedi escolta do GOIS para não ter que perder mais uma vez o comboio.
P.S. Não sei como é que tenho um flyer do Ginásio Pilatus dentro do bolso do meu casaco.
Já pedi escolta do GOIS para não ter que perder mais uma vez o comboio.
P.S. Não sei como é que tenho um flyer do Ginásio Pilatus dentro do bolso do meu casaco.
03 junho 2006
01 junho 2006
31 maio 2006
30 maio 2006
29 maio 2006
Objeção
A advogada: "Eu objecto senhor Juíz"
O juíz: "Está diferido a sua observação."
Cidadão comum: "Vamos mas é para a Fábrica da Pólvora"
O juíz: "Está diferido a sua observação."
Cidadão comum: "Vamos mas é para a Fábrica da Pólvora"
28 maio 2006
27 maio 2006
Chaves do Areeiro
Quinta-feira vai haver um workshop de chaves, chavinhas, cadeados e fechaduras nas Chaves do Areeiro.
26 maio 2006
25 maio 2006
Engano
Quando levantei a tampa do esgoto vi todas as pessoas que estão inseridas nessa sociedade. Engraçado é que, todos os cidadãos andam de capacete amarelo e uma mola no nariz.
24 maio 2006
Vi-o-la-ção-ou-di-ver-são
À beira da estrada nacional está uma mulher a pedir boleia. Páro o carro, abro o vidro e pergunto-lhe “Para onde vai”. De imediato, ela entra, a mala e o casaco voam logo para o banco de trás, como se estivesse em casa. A minha sobrancelha salta do sitio onde costuma estar.
Ainda parado, o meu telemóvel toca. Com um ar de tédio vejo que é a minha mulher. Um “foda-se!” sai-me de imediato.
"Oi tudo bem?... Ó amor jantar em casa da tua tia?... Está bem. É a que horas?... Vê se dá para adiar para as 21:30. É que eu ainda estou longe de casa... Está bem vá. Até já. Beijos."
Guardo o telemóvel e viro-me para a minha estranha companheira de viagem.
“Não me chegou a dizer para onde ia e como se chama?”
Silêncio, foi o que veio da sua boca. Eu volto a repetir a pergunta. Nada. Dou-lhe um toque no ombro e ela olha para mim e pega num bloco e começa a escrever “Vou-pa-ra-Bar-ce-lo-na”, li à medida que escrevia “Sou-sur-da-mu-da.”. Muito lentamente e alto disse.
“Tu-do-bem-eu-tam-bém-vou-pa-ra-lá” ela pega de novo no bloco e escreve “Sou-mes-mo-sur-da. 100%.”
Tiro-lhe o bloco da mão e escrevo o que tinha dito. Ela ri-se e acena-me com a cabeça.
“Isto é que vai ser uma viagem secante, com esta surda-muda ao meu lado sem abrir a boa.” E esboço um sorriso.
Com o arranque, um socorro aflitivo, preso e abafado sai do porta-bagagens.
"Cabrão da merda, tira-me daqui, sê um homem e tira-me daqui, filho-da-puta. Se é para me violares, seu maricas do caralho, tira-me daqui, enfrenta-me palhaço..."
Com uma voz muito serena.
"Cala-te para o teu bem, se te vou violar é depois de te tirar esses pulmões cá para fora. Não gosto de gajas que gritam. - Com um ar de regozijo - Tiram-me a tusa toda."
Passo superficialmente com a mão pelas calças, de modo que a senhora que vai no lugar do morto não reparasse, pois nesse momento já algo se tinha levantado.
"Paneleiro do caralho, és um merdas - pontapés na mala - antes de me tirares os pulmões tens de ter mãos para me tirar daqui."
"Quem te disse que te vou tirar daí com as mãos, tenho aqui uma surpresa bem afiada que encontrei numa estufa, Isso é que te vai tirar daí, não te preocupes, minha bela." esboço um leve sorriso.
Neste momento ela olha para mim, enquanto na bagageira continua a berraria, acena a cabeça e dá-me o bloco. “Es-ta-va-a-fa-lar-al-to”. Ela lê e guarda o bloco de novo na mala
"Já agora, não utilizes vernáculo, que fica sempre mal numa senhora bonita como tu."
Entramos em Barcelona, isto está mesmo muito diferente ou sou eu que não venho aqui há muito tempo e não me lembro como isto é... não tenho o adjectivo para qualificá-la.
Ela escreve o nome da rua e para lá nós vamos. Um pensamento vem-me assoma-se à cabeça “sempre que passo por um polícia olham sempre com muita atenção para o carro.” Tenho que descontrair, talvez seja só da minha cabeça. Eles só estão a olhar para mim porque eu estou a olhar para eles. Não ligo.
Paro e a minha companheira de viagem voluntária sai sem antes escrever um “Mui-to-o-bri-ga-da” no seu bloco de argolas. No porta-bagagens começa o tumulto silencioso mas com muitos pontapés e murros.
“Vamos a estar aí sossegados atrás. Já vamos sair. Não quero o porta-bagagens sujo.
"Eu tenho aqui duas mãos que vão dar cor à tua cara, quando estiveres a sangrar do nariz como o porco que tu és e com os olhos pendurados nas órbitas. Tira-me daqui cabrão."
"Eu não falava mais, - tiro o bilhete de identidade da carteira dela - ... Maria Adelaide Silva Fernandes, ah é viúva ou fizeste por o ser. És mais gira na foto."
"És um grande cabrão." e grita com tudo o que pode, enquanto esmurra e pontapeia o porta-bagagens.
Ainda parado, o meu telemóvel toca. Com um ar de tédio vejo que é a minha mulher. Um “foda-se!” sai-me de imediato.
"Oi tudo bem?... Ó amor jantar em casa da tua tia?... Está bem. É a que horas?... Vê se dá para adiar para as 21:30. É que eu ainda estou longe de casa... Está bem vá. Até já. Beijos."
Guardo o telemóvel e viro-me para a minha estranha companheira de viagem.
“Não me chegou a dizer para onde ia e como se chama?”
Silêncio, foi o que veio da sua boca. Eu volto a repetir a pergunta. Nada. Dou-lhe um toque no ombro e ela olha para mim e pega num bloco e começa a escrever “Vou-pa-ra-Bar-ce-lo-na”, li à medida que escrevia “Sou-sur-da-mu-da.”. Muito lentamente e alto disse.
“Tu-do-bem-eu-tam-bém-vou-pa-ra-lá” ela pega de novo no bloco e escreve “Sou-mes-mo-sur-da. 100%.”
Tiro-lhe o bloco da mão e escrevo o que tinha dito. Ela ri-se e acena-me com a cabeça.
“Isto é que vai ser uma viagem secante, com esta surda-muda ao meu lado sem abrir a boa.” E esboço um sorriso.
Com o arranque, um socorro aflitivo, preso e abafado sai do porta-bagagens.
"Cabrão da merda, tira-me daqui, sê um homem e tira-me daqui, filho-da-puta. Se é para me violares, seu maricas do caralho, tira-me daqui, enfrenta-me palhaço..."
Com uma voz muito serena.
"Cala-te para o teu bem, se te vou violar é depois de te tirar esses pulmões cá para fora. Não gosto de gajas que gritam. - Com um ar de regozijo - Tiram-me a tusa toda."
Passo superficialmente com a mão pelas calças, de modo que a senhora que vai no lugar do morto não reparasse, pois nesse momento já algo se tinha levantado.
"Paneleiro do caralho, és um merdas - pontapés na mala - antes de me tirares os pulmões tens de ter mãos para me tirar daqui."
"Quem te disse que te vou tirar daí com as mãos, tenho aqui uma surpresa bem afiada que encontrei numa estufa, Isso é que te vai tirar daí, não te preocupes, minha bela." esboço um leve sorriso.
Neste momento ela olha para mim, enquanto na bagageira continua a berraria, acena a cabeça e dá-me o bloco. “Es-ta-va-a-fa-lar-al-to”. Ela lê e guarda o bloco de novo na mala
"Já agora, não utilizes vernáculo, que fica sempre mal numa senhora bonita como tu."
Entramos em Barcelona, isto está mesmo muito diferente ou sou eu que não venho aqui há muito tempo e não me lembro como isto é... não tenho o adjectivo para qualificá-la.
Ela escreve o nome da rua e para lá nós vamos. Um pensamento vem-me assoma-se à cabeça “sempre que passo por um polícia olham sempre com muita atenção para o carro.” Tenho que descontrair, talvez seja só da minha cabeça. Eles só estão a olhar para mim porque eu estou a olhar para eles. Não ligo.
Paro e a minha companheira de viagem voluntária sai sem antes escrever um “Mui-to-o-bri-ga-da” no seu bloco de argolas. No porta-bagagens começa o tumulto silencioso mas com muitos pontapés e murros.
“Vamos a estar aí sossegados atrás. Já vamos sair. Não quero o porta-bagagens sujo.
"Eu tenho aqui duas mãos que vão dar cor à tua cara, quando estiveres a sangrar do nariz como o porco que tu és e com os olhos pendurados nas órbitas. Tira-me daqui cabrão."
"Eu não falava mais, - tiro o bilhete de identidade da carteira dela - ... Maria Adelaide Silva Fernandes, ah é viúva ou fizeste por o ser. És mais gira na foto."
"És um grande cabrão." e grita com tudo o que pode, enquanto esmurra e pontapeia o porta-bagagens.
23 maio 2006
22 maio 2006
Eu lembro! Tu és PIDE!
É incrível, mesmo depois de décadas passadas, que quem foi torturado pela PIDE ou DGS lembra-se sempre da cara e nome de quem o torturou.
21 maio 2006
Passar a barreira da justiça e vingança
Hoje tentei mas a minha consciência pediu-me o passaporte e eu não o tinha em dia, logo nunca cheguei a passar essa fronteira.
18 maio 2006
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